quinta-feira, 2 de julho de 2009

Filhos da Cultura - Cáp.7

Despedidas

“Carrego a morte no bolso, como diria aquele velho escritor bêbado de outra época. E às vezes a encaro só para ter a sensação de fatalidade da minha existência. Entretanto, nunca me sinto preparado o suficiente.

Ontem a noite minha mãe me deu um bombom de presente e disse que eu deveria ver meu pai antes do câncer acabar com sua vida. Pensei em responder: pra que? Pra que tudo isso? Todos vamos morrer, não vamos? Então por que não encarar isso de uma vez e parar com as despedidas sem sentido?

Queria poder ouvir apenas o necessário. Tantas palavras inúteis me envolvem grande parte do tempo. E pra que? Vamos morrer do mesmo jeito.

A única coisa que desejo para o meu pai e seu câncer é que ele encontre um lugar bem melhor do que esta insanidade chamada vida, onde seus sonhos de infância se realizem, onde a dor não possa mais lhe atingir, onde o tempo não corra alucinado contra a vida, onde ele possa voar mais alto que os anjos.

Um lugar no qual tudo aquilo que ele desejou um dia, tudo aquilo em que acreditava quando era pequeno, tolamente, pudesse se tornar o que ele chamaria de vida aos 60. Que todos nós encontremos nossos sonhos destruídos pela vida em outro lugar, talvez nesse lugar chamado morte. Essa é uma luta sem vencedores”.

2 comentários:

Luiz Gustavo disse...

O tipo de vida que temos hoje, a morte parece uma boa companheira de dança. Nem os ricos são felizes hoje. Imagine os miseráveis. Parabéns pela sensibilidade do texto. Vou saboreando os demais capítulos mais tarde.

Por Cris Tavelin disse...

:)