quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Do doce ao amargo fim

No início era a escuridão, o desespero, o agridoce condicionado a dois corpos que mal se conheciam, mas precisavam possuir um ao outro de qualquer forma.

Desde aquele primeiro olhar no corte da viela, numa meia luz de um dia qualquer, o objeto amado tomou forma e foi deformado pela mente ansiosa impregnada de carência e desejo.

Dias e noites sonhados, beijos a serem dados, mãos entrelaçadas num final de tarde, sua voz, sua conversa, seu sorriso. Tudo parecia se encaixar de forma perfeita na imagem de uma vida em comum.

***

No segundo momento, o doce vigora acima do desespero. A brisa é calma e majestosa, a certeza impera com toda sua arrogância juvenil. A certeza absurda do para sempre.

Rotinas se entrelaçam, duas pessoas viram uma só. O seu sorriso é o meu sorriso, os seus sonhos são os mesmos que habitam a minha imaginação, o amor já aqueceu nossos corações frios e despedaçados por um mundo no qual não confiamos mais.

A compreensão é mútua. Os pequenos defeitos, detalhes patéticos, deixamos passar, buscando não romper o laço estreito que se formou entre nós.

***

Ao amanhecer, tudo parece diferente. Já não há mais calor, apenas uma certa calma que perdura na tristeza que se aproxima com o fim. “Tinha que ser assim”.

O caminho tem uma bifurcação logo à frente e cada um de nós segue aquele que acredita suportar melhor. Músicas antigas agora soam como presságios do momento fatal: a corda se rompe, quando forçada demais.

Agora vejo você sonhando apenas de longe, como um espectador, porém, sem saber o que desejar para ti – companhia ou solidão nesse novo rumo que te espera, nesse “novo” destino ao qual você pretende chegar.

Um comentário:

Fabio disse...

apesar do final triste a história é linda e permeada de sutilezas quase que imperceptíveis, que não trai a essência, fluídicamente leve tal qual coração ainda que sangra.
Amor.