
A nostalgia é um ruído magenta-triste, forte e com sombras espalhadas em alguns pontos da memória. Dias frios e chuvosos.
Eu assistia Lost in Translation na cama com uma preguiça eterna de sair dela. E ouvia My Bloody Valentine na sequência, porque a dor, ao contrário do que pensam, também é rosa.
E a solidão nos copos de whisky e cigarros de pubs perdidos no mundo é real. Mas talvez ela não tenha sido feita para ir embora. Nós somos a nossa própria solidão.
Nós somos as guitarras distorcidas e o fundo dramático da coisa toda. Nossas lágrimas são notas desconexas no meio do ruído.
“Eu não tenho amor, eu não tenho nada além do álbum da capa rosa”. Meu vazio se expande como o universo das noites sem estrelas. Meu vazio me absorve nos seus braços.
Mas o objetivo de tudo é saber o que ele diz no sussurro final antes de pegar o táxi. E isso importa?
São apenas palavras ao vento, como as distorções cor-de-rosa e as notas – que na verdade são lágrimas – molhando tudo antes de partirem para o infinito.
Imagem: Loveless, My Bloody Valentine